O que olhar no resumo da semana: três números que bastam
Vendas, ticket médio e clientes que voltaram: os três números que dizem como foi a semana da sua loja, e como calcular cada um à mão.
Por Victor Dias · Gestão, Números, Resultados
Domingo à noite você sabe que a semana foi "boa" ou "fraca" pela sensação: a cozinha correu, o caixa pareceu cheio, ou o contrário. Mas sensação não diz se a semana foi melhor que a anterior, nem por quê. E é o "por quê" que permite repetir o que deu certo.
Não precisa de relatório de vinte páginas. Precisa de três números, anotados toda semana, no mesmo dia, do mesmo jeito. Com eles você enxerga a direção da loja. Com mais que isso, vira trabalho. E trabalho a mais é o primeiro que a gente larga.
Número 1: quanto vendeu
É o total vendido na semana, somando todos os canais: balcão, WhatsApp, aplicativos de entrega, encomenda. Um número só.
Parece óbvio, e é. O que quase ninguém faz é comparar com a semana anterior e com a mesma semana do mês passado. Uma semana sozinha não diz nada; a diferença entre semanas diz tudo. Se caiu, foi um dia específico? Choveu? O aplicativo de entrega caiu? O WhatsApp parou? Se subiu, o que você fez de diferente?
Anote também quantos pedidos foram. Você vai precisar pro próximo número.
Número 2: quanto cada pedido vale (ticket médio)
Ticket médio é o total vendido dividido pelo número de pedidos. Se você vendeu R$ 6.000,00 em 200 pedidos, cada pedido valeu em média R$ 30,00. (Os números são só pra mostrar a conta.)
Esse é o número que mostra se o seu cardápio está trabalhando. Quando o ticket médio sobe, as pessoas estão pedindo mais itens por pedido ou itens mais caros: os combos estão funcionando, a bebida está entrando, a sobremesa está sendo oferecida. Quando cai, quase sempre é uma destas: algo saiu do cardápio, a equipe parou de sugerir, ou entraram muitos pedidos pequenos de um canal só.
Ticket médio também separa dois problemas que parecem iguais. Vendas caíram porque vieram menos pedidos, ou porque cada pedido ficou menor? A resposta leva a ações diferentes: o primeiro é problema de chegar cliente; o segundo é problema de cardápio e atendimento.
Número 3: quantos clientes voltaram
Dos pedidos da semana, quantos foram de gente que já tinha pedido antes? Conte só os pedidos em que você tem o telefone (WhatsApp, entrega, encomenda); balcão sem cadastro fica de fora, e tudo bem. É o número mais trabalhoso de levantar à mão e o mais importante dos três.
Cliente que volta é o que sustenta uma loja de bairro. Ele já conhece o cardápio, costuma pedir com mais segurança e indica pra quem está perto. Se a sua semana teve cem pedidos e noventa foram de clientes novos, você está se esforçando pra atrair gente que não fica, e aí não adianta vender mais: o balde está furado.
Pra levantar sem sistema, você precisa de uma lista de clientes com telefone e data do último pedido. No fim da semana, pra cada pedido, verifique se o telefone já estava na lista. Dá trabalho; vale a pena pelo menos uma semana por mês, pra ter uma noção.
Com o tempo, acompanhe a proporção: de cada dez pedidos, quantos são de quem voltou? Se ela sobe, você está construindo clientela. Se cai, está só girando.
O que fazer com os três números
Coloque os três num quadro, numa folha ou numa planilha, uma linha por semana. Depois de um mês, você tem quatro linhas e já enxerga padrão. Depois de três meses, enxerga pra onde está indo.
Leia os três juntos:
- Vendas subiram, ticket igual, mais clientes novos: chegou gente nova. De onde ela veio? Repita.
- Vendas iguais, ticket subiu, menos pedidos: cada cliente está gastando mais, mas estão vindo menos. Bom sinal no cardápio, alerta na divulgação.
- Vendas caíram, ticket caiu, mesmos pedidos: o problema está dentro do pedido. Algo saiu do cardápio? A equipe parou de oferecer a bebida?
- Vendas estáveis, clientes que voltaram subindo: a clientela está firme. É a semana mais tranquila de todas, mesmo sem recorde.
Cada combinação aponta pra uma ação diferente. Esse é o motivo de olhar os três e não só o primeiro.
O que deixar de fora, por enquanto
Quanto sobra de cada pedido, quanto custa fazer cada item, quanto precisa vender pra pagar as contas, quanto custa cada entrega: tudo isso importa, e entra depois. Mas não comece por aí. Se você tenta acompanhar dez números desde a primeira semana, acompanha nenhum. Os três de cima dizem a direção; os outros dizem a causa, e você só precisa da causa quando a direção preocupa.
Também deixe de fora a nota nos aplicativos de entrega, as curtidas e o número de seguidores. São termômetros, não resultado. Resultado é pedido pago.
Mesmo dia, mesma hora
O resumo só funciona se for ritual. Escolha um dia e um horário em que a loja está parada (domingo à noite, segunda de manhã) e faça sempre nesse momento. Os dois primeiros números saem em quinze minutos. O terceiro, faça quando der, pelo menos uma vez por mês. Se pular uma semana, a linha fica vazia e você perde a comparação.
Faça hoje: crie uma folha com cinco colunas: semana, total vendido, número de pedidos, ticket médio (total dividido por pedidos) e pedidos de cliente que voltou. Preencha a semana que acabou, mesmo que de memória e por aproximação. Na próxima semana, preencha de novo e compare. A partir daí, a sua loja tem uma linha do tempo.
Como isso vira sistema
No Apol Food, quando os pedidos passam a entrar pelo sistema (pelo cardápio, pelo WhatsApp e pelo balcão lançado pela equipe), a tela Início mostra esses três números prontos: vendas da semana comparadas com a anterior, pedidos, ticket médio e quantos clientes voltaram, em frases simples. O que vende nos aplicativos de entrega você continua somando à mão enquanto a integração, do plano Completo, não estiver homologada; aí a conta fica completa. O módulo Resultados, também do Completo, pode ir além: custos fixos, quanto sobra de cada pedido e quanto precisa vender no mês pra pagar as contas. Mas o hábito de olhar toda semana continua sendo seu; a tela só tira o trabalho de somar.
Se você quer que o resumo da semana apareça pronto toda segunda, a contratação é pelo site.