Taxa de entrega por região: como calcular sem perder dinheiro
Um método em quatro passos pra definir a taxa de entrega por bairro usando o seu custo real, com um exemplo fictício pra mostrar a conta.
Por Victor Dias · Entrega, Taxas, Precificação, Delivery
A taxa de entrega da sua loja provavelmente foi definida assim: você olhou quanto o concorrente cobrava, arredondou e nunca mais mexeu. Enquanto isso, a gasolina mudou, o motoboy pediu aumento, você começou a entregar num bairro mais longe porque um cliente bom pediu. A taxa continuou a mesma.
Taxa de entrega não é preço de venda. É você cobrando de volta o que a entrega custa. Se ela está abaixo do que a entrega custa, cada pedido entregue tira um pedaço da margem da comida (do que sobra depois de pagar o que vai no prato). Se está acima, o cliente desiste no carrinho. O caminho do meio exige fazer a conta, e a conta não é difícil.
Passo 1: saiba quanto custa uma entrega
Comece pelo custo, não pelo preço. Junte tudo o que você paga pra um pedido chegar na casa do cliente:
- Entregador. Se é por entrega, é fácil: o valor da corrida. Se é por turno ou fixo, divida o que você paga no mês pelo número de entregas do mês. Inclua o que vai junto no salário, como INSS e vale, se houver.
- Combustível e manutenção, quando a moto é sua.
- Embalagem de transporte. Sacola térmica, lacre, saco. Pouco por pedido, mas é por pedido.
- Perda. Pedido que voltou, que chegou derramado, que foi refeito. Some o que isso custou no mês e divida pelas entregas.
O número que sai é o seu custo médio por entrega. Ele é o piso. Qualquer taxa abaixo dele é a comida pagando a corrida.
Passo 2: divida a cidade em faixas, não em bairros
Cobrar por bairro parece justo e vira confusão: bairro grande tem ponta perto e ponta longe, e o cliente que mora na divisa discute. Faixas por distância ou pelo tempo que o entregador leva são mais simples de explicar e de aplicar.
Três faixas costumam bastar pra uma loja de bairro:
- Perto: até onde o entregador vai e volta rápido. Aqui o custo é o mínimo.
- Médio: o resto da área que você atende todo dia.
- Longe: onde você só vai porque vale o pedido. Aqui a taxa precisa cobrir ida e volta de verdade, incluindo o tempo em que aquele entregador não está fazendo outra entrega.
Desenhe as faixas num mapa impresso e cole na parede, do lado de quem atende. Quem atende precisa responder "quanto é a entrega pra tal rua?" sem pensar.
Passo 3: decida o que você cobra e o que você absorve
Agora você tem o custo por faixa. A pergunta é quanto disso vira taxa e quanto você absorve, ou seja, banca do seu bolso, pra não espantar o cliente.
Não existe resposta única, mas existe uma regra: a decisão de absorver tem que ser consciente e por faixa. Absorver parte da taxa na faixa perto, onde o pedido repete toda semana, pode valer. Absorver na faixa longe, onde o pedido é ocasional e caro, raramente vale.
E se você absorve, o custo não desaparece: ele volta no preço da comida ou sai da margem. Saiba de qual dos dois.
Um exemplo fictício, pra ver a conta
A Lanchonete da Esquina é uma loja inventada, com números redondos escolhidos só pra mostrar o método. Nada aqui é dado real.
Ela paga R$ 8,00 por corrida ao entregador na faixa perto, R$ 12,00 na média e R$ 18,00 na longe. Gasta em média R$ 1,00 de embalagem de transporte por pedido e teve, no último mês, R$ 60,00 de perdas em 200 entregas, ou R$ 0,30 por entrega.
Custo por entrega, por faixa:
- Perto: 8,00 + 1,00 + 0,30 = R$ 9,30
- Médio: 12,00 + 1,00 + 0,30 = R$ 13,30
- Longe: 18,00 + 1,00 + 0,30 = R$ 19,30
Hoje a Lanchonete cobra R$ 7,00 de entrega pra todo mundo. Na faixa perto, perde R$ 2,30 por pedido. Na média, R$ 6,30. Na longe, R$ 12,30. Em 200 entregas no mês, mais ou menos um terço em cada faixa, isso dá quase R$ 1.400,00 saindo do lucro da comida sem ninguém perceber.
Ela decide: cobrar R$ 9,00 na faixa perto (banca R$ 0,30 porque é o cliente que volta toda semana), R$ 13,50 na média e R$ 20,00 na longe. A faixa longe sobe bastante, e tudo bem: se o cliente de lá desistir, ela deixa de perder R$ 12,30 por entrega, mas também perde o lucro do lanche, então vale conferir se o pedido de lá compensa. Se não desistir, a entrega se paga.
Troque os números pelos seus. A estrutura da conta é a mesma.
Passo 4: revise quando algo mudar
A taxa certa hoje não é a certa daqui a seis meses. Revise quando:
- o entregador mudar o valor ou o combustível subir;
- você começar a atender uma área nova;
- a perda por entrega subir ou cair de vez;
- você notar que uma faixa concentra reclamação de "demorou" ou "chegou frio", sinal de que o custo real dela é maior que o calculado.
Marque uma revisão a cada três meses. Leva meia hora.
Entrega grátis existe?
Existe, como promoção com regra: "entrega grátis acima de tal valor" ou "entrega grátis na faixa perto às terças". Nos dois casos você sabe quanto está absorvendo e por quê. O que não existe é entrega grátis sem conta: aí quem paga a corrida é a sua margem, todo dia, sem você escolher.
Faça hoje: pegue os pedidos entregues da última semana e, pra cada um, anote a faixa (perto, médio, longe) e quanto a entrega custou de verdade. Compare com o que você cobrou. Some as diferenças da semana e multiplique por quatro. Esse é o tamanho do furo (ou da folga) no mês. Esse número decide se a taxa muda amanhã ou se pode esperar.
Como isso vira sistema
No Apol Food, dois módulos do plano Profissional cuidam disso. O Entregas guarda as áreas e as taxas por região e aplica a taxa certa no pedido, com o entregador marcado em cada um e o cliente avisado de "saiu" e "entregue" no WhatsApp. O Resultados mostra o custo de entrega ao lado da margem, pra você ver quando a taxa saiu do lugar. A conta de quanto cobrar continua sendo sua: o sistema aplica a regra que você definiu.
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